O último livro da Bíblia, o Apocalipse, foi escrito pelo apóstolo João perto do fim do primeiro século da era cristã. Os capítulos 2-3 contém pequenas cartas às igrejas da Ásia Menor, naqueles primórdios. Elas foram dadas ao apóstolo numa visão. O autor, na verdade, é o Senhor da Igreja, Jesus Cristo, anos depois de sua morte, ressurreição e ascensão. A carta à igreja de Laodicéia inclui este aviso-convite, que muitos sabem até de cor: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” (Ap 3.20).

“Eis que estou à porta…”

Se estas palavras foram ditas a uma igreja, portanto, a cristãos, por que Jesus está do lado de fora, batendo, esperando que alguém o ouça, abra a porta e o convide para entrar? A linguagem é figurada, como quase tudo no Apocalipse. E o sentido, evidentemente, é este: Jesus está à porta do coração ou da vida de muitos que se dizem “cristãos” (e de igrejas também), batendo e querendo entrar! Isto é estranho, contraditório.

Os primeiros discípulos de Jesus foram chamados “cristãos” por sua relação e semelhança com Cristo (Atos 11.26). Essa identificação envolve arrependimento, confissão, fé, conversão, submissão a Cristo; enfim, abrir a porta do coração e da vida para recebê-lo como Salvador e Senhor (João 1.11-12). Mas o que acontece? Muitos confundem essa experiência transformadora com a aceitação meramente intelectual do credo; com o rito do batismo; com um casamento na igreja; com celebrações da Páscoa e do Natal. Para estes, a religião é apenas isto. Jesus, que os ama e os quer salvar e abençoar, lhes diz, ainda hoje: “Eis que estou à porta…” Alguns até ouvem e lhe abrem a porta, mas, por assim dizer, o fazem assentar-se na sala de visitas, sem acesso aos demais cômodos da casa, ou seja, às outras áreas da vida. Esse “cristianismo” limita-se ao templo e aos domingos, se tanto.

“Eis que estou à porta e bato…”

Hoje, Jesus bate (fala, chama, toca) principalmente através da pregação do Evangelho feita com humildade e respeito, com coragem e firmeza, com pureza de alma, no poder do Espírito Santo. Antes de ascender de volta aos céus, Jesus ordenou aos seus discípulos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura…” (Marcos 16.15). Suas últimas palavras foram uma promessa: “Recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas…” (Atos 1.8).

Mas Jesus também bate à porta do coração daquele que lê a Bíblia ou um folheto com uma mensagem bíblica. Muitos têm se convertido assim. Ele também usa experiências dolorosas como acidentes, enfermidades, perda de um ente querido. Estas são batidas mais fortes, para acordar os que estão dormindo, abrir ouvidos surdos…

“… se alguém ouvir a minha voz…”

Como é difícil! Hoje, então! Com tanto barulho por aí! Há tantos apelos, tantos interesses, tantas distrações! Há também muito preconceito religioso… Você certamente já ouviu (se já não disse) algo assim: “Religião não se discute!” Não mesmo. Os cristãos não têm que discutir religião; têm, sim, que dar uma boa e alegre notícia: “Deus o ama, a despeito dos seus pecados… Ele o quer perdoar… Quer fazê-lo feliz. Ele enviou seu Filho ao mundo para morrer por seus pecados e salvá-lo!”

Evangelho significa boa nova. Então, por que as pessoas acham tão difícil ouvi-lo? Por que tantas barreiras? É verdade também que alguns pregadores distorcem a mensagem e os interesses. Outros pregam uma coisa e vivem outra. São hipócritas. Darão contas ao Senhor! Contudo, a despeito disto, ninguém deve ignorar as batidas de Jesus à porta do seu coração e da sua vida. Resultará em grande perda. “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mt 4.9).
“… e abrir a porta…”

Como? Respondendo positivamente à boa nova; reconhecendo que Jesus Cristo é o Filho de Deus, o Salvador do mundo e o Senhor de nossas vidas; confessando seus pecados a Deus e aceitando seu perdão, pela mediação de Jesus Cristo; submetendo-se a Cristo, o Senhor.

A propósito, Warner Sallman, um artista famoso, pintou um quadro representando Jesus à porta, batendo. No museu onde o quadro foi exposto, alguém observou que não havia maçaneta na porta. O guia explicou que o artista assim o fizera de propósito, visto que o coração humano só pode ser aberto por dentro… Cada pessoa tem que decidir se abre o coração para Jesus ou não.

“… entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo”.

Geralmente, os que se assentam à mesa conosco, em nossa casa, são o cônjuge, os pais, os filhos e, se os convidamos, os amigos mais chegados. Essa figura, portanto, indica amizade, intimidade e comunhão. Jesus prometeu que, se lhe abrirmos a porta, ele entrará e, imagine, cearemos juntos!

O que a companhia de Jesus pode ter significado para Maria, Marta e Lázaro? Para os doze apóstolos? Para Zaqueu? Para os dois discípulos de Emaús? Se você conhece estas histórias bíblicas, sabe que estas pessoas, que abriram suas casas e seus corações para Jesus, receberam perdão, muita paz e alegria, direção sábia, a verdadeira e duradoura felicidade!

É verdade que aqueles primeiros cristãos desfrutaram da companhia física de Jesus, o que nos é impossível, por enquanto… Mas estas palavras de Jesus que estamos considerando, “Eis que estou à porta…”, são posteriores ao seu ministério terreno. De fato, antes de ascender de volta aos céus, Jesus prometeu aos seus discípulos: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.20). Ele o faz através do Espírito Santo (Jo 14.16-17).

A verdadeira felicidade.

Muitos têm buscado a felicidade no dinheiro, nos bens, na fama e nos prazeres deste mundo. Alguns, mais infelizes, tentam bebidas e drogas. Contudo, a verdadeira felicidade encontra-se somente em Cristo. Ele é o único que pode perdoar nossos pecados, aperfeiçoar nosso caráter, transformar nossa vida, trazer conforto ao nosso coração e paz à nossa consciência.

Você é feliz? Já ouviu as suaves e amorosas batidas de Jesus à porta do seu coração? Já o convidou para entrar? Confiou-lhe as chaves de todos os departamentos de sua vida? Como tem sido estar à mesa com Jesus, cear com ele?
Quer comentar? Mande-me um e-mail.

Pr. Éber Lenz César
eberlenzcesar@gmail.com

Deixe um Comentário