O INTERVENTORraios do sol1

O Rio está sob intervenção federal… Vamos ver no que vai dar. Torcemos e oramos por tempos melhores para esta “cidade maravilhosa” que, ultimamente, de maravilhosa tem quase que somente o que Deus criou … Essa intervenção pode muito bem ser uma resposta de Deus aos nossos clamores, quaisquer que sejam os motivos em Brasília e por aqui.

A propósito, intervenção divina não é novidade para os teístas, que creem no Deus Criador e Interventor, um Deus que não somente criou o universo, mas o sustenta, intervindo, inclusive, na história humana e na vida das pessoas. Já os deístas creem em Deus, sim, mas um Deus distante, transcendente, que não interfere em nada. O Deus da Bíblia é Interventor! Do Gênesis ao Apocalipse lemos sobre inúmeras intervenções divinas na natureza, na história e na vida das pessoas, crentes e descrentes. Francis Schaeffer, teólogo e filósofo cristão americano, famoso por seu L’Abri ( “O Abrigo”), na Suíça, escreveu um livro com o título “O Deus que intervém”. Uma linha de pensamento mais filosófica… Meu propósito aqui, dado o pouco espaço, é destacar apenas algumas das muitas intervenções divinas na história bíblica.

Quando os descendentes dos filhos de Noé, orgulhosamente e em desobediência a Deus, intentaram construir a torre de Babel, Deus interveio, confundiu-lhes a linguagem e, assim, impediu-os de continuar; forçou-os à dispersão por ele planejada, direcionando os descendentes de Jafé (Jafetitas) para o norte; os descendentes de Sem (Semitas) para o centro, e os descendentes de Cam (Camitas) para o sul. Isto que deu origem às nações e às suas respectivas línguas (Gn 10-11).

A história de José é um belo exemplo de intervenção divina mais restrita e pessoal. Deus soberanamente permitiu e usou as ações maldosas dos demais filhos de Jacó (que venderam José a negociantes de escravos), da mulher de Potifar, no Egito (que tentou seduzir Jose e, depois, o acusou injustamente); os sonhos do copeiro e do padeiro do Faraó e do próprio Faraó e, por fim, colocou José no Governo do Egito… Quando seus irmãos o reencontraram, José, teísta até a alma, longe de vingar-se do mal que os irmãos lhe haviam feito, disse-lhes: “Por acaso sou Deus para castigá-los? Vocês pretendiam me fazer o mal, mas Deus planejou tudo para o bem. Colocou-me neste cargo para que eu pudesse salvar a vida de muitos…” (Gn 50.19-21; 45.7-8).

As histórias de Moisés e do Êxodo estão repletas de exemplos: lembre-se do bebê Moisés sendo resgatado das águas do Nilo pela filha do Faraó; da preparação de Moisés na corte egípcia; de seu chamado na sarça ardente; do êxodo dos hebreus da terra do Egito depois de quatrocentos anos de escravidão, tal como Deus havia prometido a Abraão; da abertura das águas do Mar Vermelho e de tantas outras intervenções divinas em pleno deserto, salvando e conduzindo os hebreus (Israel) até a Canaã (livro do Êxodo). Depois, veio a conquista de Canaã, sob o comando de Josué. Aliás, de Deus! Começou com a travessia do rio Jordão, cujas águas foram detidas por Deus, e queda dos muros de Jericó! Som de trombetas e gritaria derrubam fortes muralhas? (Js 6).

Posteriormente, nas histórias dos reis de Israel, vemos outras tantas intervenções divinas. Lembro da notável intervenção de Deus em atendimento à oração do rei Josafá, de Judá. Quando Moabitas, Amonitas e meunitas, em multidão, declararam guerra contra Josafá, ele orou: “Ó Senhor… tu governas todos os reinos da terra…Não temos forças para lutar contra esse exército imenso… Não sabemos o que fazer, mas esperamos o socorro que vem de ti” Em resposta, Deus lhes enviou um profeta que, entre outras coisas, lhes disse: “Tomem suas posições; depois, fiquem parados e vejam o livramento do Senhor…” Posicionados, cantando e louvando, Josafá e seu povo viram mais uma tremenda intervenção de Deus: “O Senhor trouxe confusão sobre os exércitos de Amon, Moabe e do monte Seir, e eles começaram a lutar entre si… Quando os homens de Judá chegaram ao local… viram apenas cadáveres. Não escapou nem um só dos inimigos” (2 Cr 20-22).
Quantas outras poderosas intervenções de Deus, tanto para salvar como para punir! A de Jesus foi a mais extraordinária, amorosa e salvadora. “Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho único, para que todo o que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).
Você provavelmente tem algumas perguntas… “Por que Deus não interveio para salvar minha mãe, meu pai, meu filho, a despeito de tantas orações? Por que Deus não intervém para acabar com toda essa violência, corrupção etc.? Por que?” Lembre-se de José, por exemplo. Quantas dúvidas durante aqueles anos de escravidão e prisão no Egito! Quantos questionamentos… Deus intervém da forma como quer e quando quer, soberanamente. Ele permitiu que Tiago fosse degolado, mas interveio no meio da noite e tirou Pedro da Prisão (At 12). Confiemos lembrando que “Deus faz que todas as coisas cooperem para o bem daqueles que o amam…” (Rm 8.28). Para a hora presente do Brasil e do Rio de Janeiro, com ou sem intervenção federal, nossa ousada oração pode ser a do Salmista: “Já é tempo, Senhor, para intervires, pois a tua lei está sendo violada” (Sl 119.126).

Pr. Éber Lenz César,

eberlenzcesar@gmail.com

eberlenzcesar.blog.br

Deixe um Comentário